CEPESE CEPESE | CENTRO DE ESTUDOS DA POPULAÇÃO, ECONOMIA E SOCIEDADE

Portugueses, italianos e franceses nos círculos artísticos de Belém do Pará (1880-1920)

Aldrin Moura de Figueiredo
2013
14 páginas

Nos fins do século XIX, a elite intelectual paraense e os apreciadores das artes viam na pintura, em especial no retrato, uma espécie da narrativa visual enunciadora de civilidade. O gênero do retrato, associado à pintura de história e às paisagens rurais e urbanas invadiu e movimentou um novo mercado das artes, universo crescente na sociedade da borracha. Artistas-viajantes, muitas vezes migrantes, especialmente italianos e franceses, trouxeram a Belém, mais do que suas famílias, um novo modo de vida e, ao mesmo tempo, atuaram como mediadores no exercício intelectual de exploração dos limites do olhar. Cenas e horizontes inventados pelos traços da pintura, lugares contrastantes com a realidade vivida, capazes de reter a contemplação dos expectadores eram buscados pelos compradores de telas e retratos. Um projeto de arte republicana se desenhou em diálogo com os projetos políticos do risorgimento e da Unificação Italiana (1870), da Terceira República Francesa (1870) e com o republicanismo português (1876).